terça-feira, 25 de novembro de 2008

PERFUME DE MÃE


Esta é uma história de muitos anos atrás sobre uma professora primária. Seu nome era Dona Hilária. E enquanto estava em frente de sua classe da 5ª série, no primeiro dia de aula, disse uma mentira a seus alunos. Como muitas professoras, ela olhou para seus alunos e disse que os amava igualmente. Mas isto era impossível, pois ali, na 1ª carteira, estava sentado um garotinho chamado Luiz Alberto.
Dona Hilária já o havia observado no ano anterior e notou que ele brincava muito com as outras crianças, que suas roupas estavam amarrotadas e que ele constantemente precisava de um banho, além de que, às vezes, podia ser grosseiro. Chegou a um ponto em que a dona Hilária sentia prazer em apontar os erros nos seus trabalhos de casa e fazer grandes “X” com caneta vermelha, apresentando a ele um grande “F”.
Na escola onde Dona Hilária ensinava era obrigatória a pesquisa da vida escolar das crianças e ela colocou Luizinho por último. Mas quando finalmente ela pesquisou o currículo escolar dele, ficou surpresa.
A professora da 1ª série escreveu: “Luiz Alberto é uma criança brilhante e alegre. Ele faz suas tarefas bem feitas e sempre estão limpas. Tem boas maneiras. É uma alegria estar ao lado dele”.
A professora da 2ª série escreveu: “Luiz Alberto é um excelente aluno. É bem visto pelos colegas, mas está com alguns problemas, pois sua mãe está com câncer terminal e dentro de casa está sendo difícil”.
A professora da 3ª série escreveu: “A morte de sua mãe tem sido muito difícil para Luiz Alberto. Ele tenta fazer o melhor, mas seu pai não mostra muito interesse para a vida caseira e logo isto vai afetá-lo se alguma providência não for tomada”.
A professora da 4ª série escreveu: “Luiz Alberto está se retraindo e não mostra muito interesse para a escola. Ele não tem muitos colegas e às vezes dorme durante a aula”.
Neste momento a Dona Hilária percebeu o problema e envergonhou-se.
Ela sentiu-se pior quando os seus alunos trouxeram-lhe presentes de Natal, embrulhados em papéis bonitos com laços, com exceção de Luiz Alberto. Seu presente, que estava mal embrulhado em papel de supermercado era notado no meio dos outros. Algumas crianças começaram a rir quando, ao abrir o presente, a professora encontrou um bracelete de pedras com algumas faltando, e um vidro de perfume quase no fim. Mas, ela fez com que os alunos se calassem enquanto dizia como era bonito o presente que acabara de receber. Ela colocou o bracelete e também um pouco do perfume.
Luiz Alberto ficou após a aula na escola apenas para encontrar a Dona Hilária e dizer a ela: “Professora, hoje eu senti a fragrância de minha mãe na senhora.”
Depois que as crianças foram para a casa, ela chorou por uma hora. Naquele mesmo dia ela parou de ensinar leitura, escrita, aritmética. Em vez disso, ela começou a ensinar crianças.
Dona Hilária deu mais atenção a Luiz Alberto. Enquanto ela trabalhava com ele, a mente dele parecia vivida. Quanto mais ela o encorajava, mais rápido ele respondia. No fim daquele ano Luiz Alberto se tornou o melhor aluno da classe e, desta vez, ele se tornou o favorito dela.
Um ano depois ela encontrou um bilhete debaixo de sua porta, que era de Luiz Alberto, dizendo que ela ainda era a melhor professora que ele já teve.
Seis anos se passaram e ela recebeu um outro bilhete de Luiz Alberto. Ele escrevia que havia terminado o colegial e era o 3º melhor aluno da classe e que a Dona Hilária era sua professora preferida e a melhor que ele havia tido.
Quatro anos depois disto ela recebeu outro bilhete de Luiz Alberto, dizendo que as coisas às vezes ficaram difíceis, mas que continuou estudando e que muito em breve ele se formaria na faculdade com honras. Ele assegurou à Senhora Hilária que ela ainda era a melhor professora que ele havia conhecido.
Aí, mais quatro anos se passaram e uma outra carta chegou. Desta vez ele explicou que quando recebeu o bacharelado, decidiu ir um pouco mais longe. A carta explicava que ela continuava a ser a melhor professora e também a sua favorita. Mas, agora, o nome dele era um pouco maior: Dr. Luiz Alberto Pereira da Silva.
A história não termina aqui. Uma outra carta acabou de chegar nesta primavera. Luiz Alberto disse que havia conhecido a garota com quem irá se casar. Ele disse que seu pai havia falecido e que ele gostaria que a Dona Hilária sentasse no lugar de sua mãe durante a cerimônia do casamento.
 A Dona Hilária aceitou e, adivinhe o que aconteceu? Ela compareceu usando o bracelete que ele lhe deu e também o perfume que sua mãe gostava. Eles se abraçaram e Dr. Luiz Alberto cochichou no ouvido da Dona Hilária: “Obrigado por acreditar em mim. Obrigado por me fazer sentir importante e mostrar que eu podia fazer a diferença”.
A Dona Hilária, com lágrimas nos olhos cochichou também: “Luiz Alberto, você está errado. Você é quem ensinou que eu podia fazer a diferença. Eu não sabia ensinar até que conheci você”.

Um comentário:

Roberto disse...

Estava ha anos tentando achar esse texto na internet, pois no dia seguinte em que li na escola ele foi, acidentalmente, deletado. Relendo, aconteceu o mesmo da primeira vez,chorei rios...Lindo!